Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




Blog do Braginha
 


<a href="http://mtv.uol.com.br/fitacassete" target="_blank"><img src="http://img.mtv.uol.com.br/blog/m_fitacassete.gif" alt="fitacassete" border="0" /></a>



Escrito por Bruno B. Braga às 10h53
[] [envie esta mensagem
] []





Minha Princesa.

 

O vento soprou uma única vez antes de nos despedirmos.

Quando o fizemos, para mim, foi como se todo o mundo tivesse parado, em um stop absoluto.

Minha língua ligeira encostou, por fim, na da minha amada. Um leve toque, só para deixar marcado em minha boca o sabor do amor.

Antes de nos soltarmos do abraço ela ainda me deu um ríspido beijo, boca com boca, como se fechasse aquela seção de caricias. Essa é uma marca vidente de seus beijos – como uma assinatura. 

Nos olhamos por cima dos olhos, demos um ultimo sorriso reciproco e, imediatamente, o calor foi embora. Meu mundo ficou frio, gelado...

Ela saiu correndo, tentando fugir da chuva que desatinava em nossas cabeças há mais de dez minutos. Não! Não era por causa da chuva que ela corria. Assim como eu, se ela cogitasse a possibilidade de ficar, ela ficaria!

Esperei até que ela saísse o meu campo de visão – queria desfrutar de sua beleza até o ultimo milésimo de segundo cabível. Quando ela se foi, além de frio, meu mundo ficou incolor, apenas preto e branco.

Comecei a andar.

Ao meu lado, no ponto de ônibus, uma garota carregava consigo um cacho de rosas. Discretamente levei meu nariz até uma delas para desfrutar de seu perfume. Um cheio azedo adentrou meu nariz, me fazendo espirrar. Até mesmo cheio de rosa se torna azedo comparado com o cheiro da minha amada.

Olhei o relógio. Haviam se passado, apenas, dois minutos que tínhamos nos separado - e eu já estava morrendo de saudade da minha princesa.

“Psiu”. Uma voz familiar me chamou. Era ela, atras de mim. De novo, e novamente, ela não aguentara e veio ficar mais cinco minutinhos comigo.

Voltamos a nos beijar como animais ferozes, com se fosse-mos comer um pedaço a boca do outro. Com o tempo a ardor cessou, no lugar dele, o romantismo e a ternura. Passamos a apreciar o beijo, a ir com calma, a saborear cada toque mais íntimo. 

Seu celular despertou, os cinco minutos haviam se passado.

O vento soprou uma única vez antes de nos despedirmos.

Quando o fizemos, para mim, foi como se todo o mundo tivesse parado, em um stop absoluto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

________________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 10h52
[] [envie esta mensagem
] []





 

Liberdade pensar, eu gosto de ter!

 

 

Ela se voltou a mim e, de uma maneira rude, disse:

     “Eu sou cristã, freqüentadora da Igreja Católica Apostólica Romana.  Independente da onde tivesse nascido ou crescido eu, mesmo assim, seria cristã!”

Quando ela terminou eu comecei a rir. 

A ignorância humana não tem limites, ainda mais quando somos manipulados por algo que nos dizem ser divino, que está acima de nós, que devemos respeito e gratidão.

Toda minha família é católica, e como tal, sempre fui obrigado a ir à igreja todo domingo. Tentei fazer a primeira comunhão, mas era muito esforço por apenas uma Hóstia Sagrada (que de sagrada não tem nada - para quem não sabe, ela é vendida em supermercados populares, é só procurar). 

Quando passei dos quatorze anos eu percebi que, mesmo me esforçado ao máximo para prestar atenção na missa, saia de lá sem saber o que o padre havia ditado, sem ao menos saber qual havia sido à mensagem do dia. Na verdade, a única coisa que  me vinha a cabeça era a moça que se sentou a minha direita dando dois reais ao dizimo, a da esquerda dando cinco - e que as duas me fitando com olhos de escárnio por eu não ter doado nada a igreja. 

 

Não pode ser só comigo. Não é possível que só eu tenha percebido que missa é uma aula de história disfarçada, com rituais grandiosos e musicas alegres e confortantes. 

Não é mentira que quando saímos da missa estamos nos sentindo melhor - é o efeito do agradável ambiente manipulado dentro da igreja. Agora, repare só, é virar a esquina e alguém te esbarrar, sem querer, para que você, por querer, o mande passear com o diabo.

Mas, será que só eu que percebi isso? Será que todas as milhares de pessoas que  frequentam a igreja semanalmente, nunca pensaram sobre o que elas vêm aprendendo por lá? Bom, não é difícil responder essa pergunta: é claro que eles não perceberam! Quem sabe por que? Por que ninguém pensa no assunto? Porque é muito mais fácil aceitar o errado do que correr atrás do correto.

O bem estar que a maioria de nós sente quando saímos da igreja é mutuo. Simplesmente ficamos lá, sentados, por uma hora ou mais - ouvindo com atenção o grandioso e louvado homem de barba e sotaque italiano (falso sotaque italiano). E ele fala... e fala... e fala... e, enfim, nos diz que todos nossos pecados foram perdoados e que todos nós vamos para o céu. Olha como é simples e prático. Eu faço um monte de burrada durante a semana, trato mal as pessoas, tenho pensamentos racistas e discriminatórios, passo por cima de similares e no domingo, após meia dúzia de ave-maria eu estou salvo. Assim o mundo gira, sem problema algum, todos nos vamos para o céu.

 

 Depois que criaram a confissão o inferno faliu!

 

Há alguns anos atrás fiz uma pesquisa para o meu colégio. Fiquei na porta de uma igreja, bem na hora em que acabara missa, e fiz três perguntas para várias pessoas que saíam da igreja. Repeti isso por duas semanas mais - os resultados, posso dizer, foram um tanto cômico.

A primeira pergunta foi: Qual foi o assunto abordado, hoje, na missa?

A segunda: Qual a mensagem deixada, hoje, pelo padre?

A terceira: Como você vai aplicar o que você aprendeu, hoje, na missa em sua vida?

Quando reli as respostas em casa confesso que fiquei desnorteado, não esperava que as respostas fossem tão vazias e um tanto incoerentes. Em geral elas foram:

Resposta d pergunta “Qual foi o assunto abordado, hoje, na missa?”: Um muito bonito.

Resposta da pergunta “Qual a mensagem deixada, hoje, pelo padre?”: O amor.

Resposta da pergunta “Como você vai aplicar o que você aprendeu, hoje, na missa em sua vida?”: Em todos os momentos.

 

O ar de superioridade e dever comprido das pessoas que me responderam ao questionário era iminente, assustador e gratificante. 

Vamos pensar um pouco (lembrando que pensar não dói)! Como alguém que acabou de ouvir uma hora de conversa (alias, falatório) não sabe o que foi abordado? Como alguém que por uma hora não desviou os olhares de uma homem, não sabe do que, exatamente, ele estava falando? É bem simples, aliais, responder essa pergunta. A missa foi criada para dar, a quem a frequenta, o falso sentimento de superioridade.

  Uma recente pesquisa diz que os devotos que mais se acham superiores a devotos de outras igrejas são os católicos. O católicos se acham, um sua maioria, os donos únicos da verdade incondicional do mundo desconhecido.

Olha que engraçado, o padre se impõe, em pleno século 21, como um mandado de cristo a terra para falar com seus súditos. Ele se apresenta como um ser superior a todos que estão a sua volta. Ele força um sotaque italiano, usa – ao máximo – do preciosismo ao falar, nos manda sentar, levantar e se ajoelhar. A igreja por si já deixa os seus devotos orgulhosos, ela é imensa, toda dourada com várias pesas em ouro - eu, humildemente, nunca fiquei sabendo que Jesus carregava consigo qualquer grama de ouro. O teto da igreja, em geral, se encontra a mais de seis metros acima de nossa cabeça, ele é gigante, sempre desenhado um céu, lindo, cheio de anjos e Jesus, no meio, com seus braços abertos como se estivesse nos acolhendo. Quando se olha aquela formosura quase se chora de emoção. É, exatamente, por essas razões descritas, que os devotos da igreja católica se acham superiores aos de outras religiões.

Fazendo aquela entrevista, na porta da igreja, uma daquelas senhoras que fazem parte de grupos de caridade (que tiro o chapéu, pois realmente ajuda muitos necessitados), e que acham saber tudo sobre ética, me veio dar um sermão, falando que eu deveria me curvar a Deus, que eu devo tudo que tenho a ele (o grande poderoso), que ele está me dando uma chance de me redimir, que ele não quer perder mais uma ovelha... e mais algum montes de frases pré-montadas. 

Gente, por que devemos nos curva a Deus? Não é estranho que um ser superior  - todo poderoso - que consegue fazer qualquer coisa, a qualquer momento, tenha tido que criar os homens? Para que ele nós criou? Qual o propósito disso tudo? Não existe razão eminente para se criar tantas vidas... tantos sofrimentos...  Qual o motivo de criar tanta gente e colocar todos em apenas um planeta? - já que os católicos não acreditam que haja vida em outro planeta.

Se você – caro e querido leitor – tiver a oportunidade, refaça essas perguntas que acabei de jogar no ar a uma grande sumidade da igreja católica. Só não fique esperançoso a esse dia, pois a quem você perguntar nada irá lhe responder. Não irá lhe responder porque ele não têm recursos, ele não sabe, ele, na verdade, nem quer saber. Além de absortos, os “Nobres da Igreja Católica”, são orgulhosos. Quando se deparam com perguntas como as minhas eles mudam de assunto, fingem não terem entendido a pergunta ou, simplesmente, criam compromissos urgentes que o fazem sair correndo de você. 

Mas, meu amigo leitor, assim como eu você não é burro. Nós sabemos que Deus não iria criar tanta coisa por diversão. Ele não iria criar algo tão complexo e olhirridente como a vida, simplesmente por ter tido vontade – sabemos que ele é maior do que isso, disso temos provas.

Confira comigo como as “histórias católicas” não fazem sentido: Primeiro não existia nada, era um vazio total. Então como existia Deus se não existia nada? Alias, só o ato de não existir nada quer dizer que não existia nada em algum lugar, mas como isso é possível se esse lugar não existia? 

Eu sei que perguntas como as anteriores estão alem da nossa imaginação, que não somos evoluídos o bastaste para entender.

Esquecendo as perguntas, que nunca serão respondidas, você não acha estranho que a igreja nunca explique nada. Ela simplesmente fala que é o que é e pronto. Ela fala que não devemos matar e pronto. E quem decidiu que não podemos matar? Qual o motivo de não podermos matar? (não estou defendendo o assassinato). A igreja não nos responde perguntas, ela simplesmente nos dita ordens e decretos, os rebuscando com santidades, para que achemos que temos a obrigação de cumprir o que um velho desatualizados acha melhor para todos nós. Ela tenta interferir na nossa vida, na minha vida, sem ao menos me dar voz de explicação. É por isso que, parágrafos acima, falei que a missa não é uma conversa e sim um falatório. Depois do padre, nós, pessoas normais, não temos voz na igreja. Claro que até podemos ler alguma coisa lá em cima do palanque, mas são sempre textos pré-montadas.

 

“Deus é justo meu filho.”

 

Foi o que minha professora de redação me falou um dia... Pra que? Fiquei pensando nessa frase por algumas horas e depois, com meus conhecimentos da doutrina espírita, percebi que Deus, como ele é colocado pela igreja católica, não é justo. 

Para começar, segundo a igreja, ele só nos dá uma chance de viver, ou seja, nós não encarnamos até estarmos evoluídos - não voltamos à vida. Então, pensa comigo, é junto uma pessoa nascer na favela, onde ela vê o pai ser morto e a mãe tendo que dar seu corpo por dinheiro? Ser obrigado, pela mãe, a cheirar cola já que comida não tem!   A cola, caro leitor, disfarça a angustia da fome. É justo uma mãe e um filho, recém nascido, serem submetidos a tal tratamento, a tal sofrimento sem, ao menos, ter culpa ou escapatória? É justo uma criança como essas existir? Logo ali, na favela da rocinha, enquanto outros estão comendo do bom e do melhor bem do lado da favela, no bairro da Gávea? Por que algumas pessoas merecem dormir em camas de molas e travesseiros de pluma de ganso enquanto outras se cobrem com jornal e papelão?

É claro que tem que existir um porque para toda essa desigualdade – e, para mim, só existe uma resposta: essa não é a minha primeira e nem será a minha ultima vida. Hoje eu pago pelo que fiz em minhas vidas anteriores. Me fazendo crescer, me fazendo evoluir, concertando meus erros, para que não os cometa de novo.




Escrito por Bruno B. Braga às 01h26
[] [envie esta mensagem
] []





Eu sei que ninguém lê meu Blog, mas mesmo assim eu o continuo atualizando com o melhor que tenho (que não é grandes coisas).

Eu só gostaria de agradecer a todos aqueles que o lêem e deixar marcado um compromisso meu de atualizar esse Blog, pelo menos, uma vez por dia.

PS:. Esse comunicado vale como a atualização de hoje.



Escrito por Bruno B. Braga às 01h24
[] [envie esta mensagem
] []





Uma dor sem precedentes. 

 

 

Sabe quando seu coração bate mais forte só ao pensar no nome dela? Quando você sonha, todo dia, em dar o grande primeiro beijo? Quando a única coisa que realmente consegue te esquentar nas noites frias é o calor corporal da sua amada? Sabe quando você fica procurando, em cada mulher, semelhanças que possam te lembrar da mulher que você tanto presa?  

Agora, imagine se esses sentimentos se transformassem em um grande problema. 

Quando você está amando, com tais sentimentos a flor da pele, qualquer coisa – por mais insignificante que ela seja – consegue te machucar tão forte que uma heresia percorre seu sangue, tentando te fazer desacreditar em tudo que cerca a pessoa que você ama, fazendo você tentar esquecer a tal pessoa,  para sempre. Mas depois de quinze minutos tentando esquecer-la você descobre que isso já é impossível, que você não mais tem forças para ficar longe dela, que o cheiro da amada é mais forte e confortante do que cheio de rosas campestres virgens ao desabrochar. Você descobre uma força – e você não consegue sentir a grandiosidade dessa – que o mantém mentalmente ligado a amada, o fazendo relembrar cada momento que passaram juntos; deixando tudo ainda mais difícil, ainda mais doloroso, ainda mais amargo.

Primeiro vem o choro, depois a desilusão, a raiva pessoal e por fim, o vazio. Você fica fitando o nada, olhando o céu, dando formas as nuvens, tentando criar em sua cabeça uma maneira de explicar como que você deixou que a situação chegasse ao ponto em que chegou.

Depois de algumas horas em torpor absoluto você realmente entende o que aconteceu, entende toda a situação, entende cada ponto falho; e quando você consegue chegar a esse ponto, sem hesitar, você procura por respostas. Mas, adivinha só, não existe respostas, nem remédios, nem literatura, para explicar - e para curar - a imensa e macabra dor de corno. 



Escrito por Bruno B. Braga às 13h34
[] [envie esta mensagem
] []





 

Meu primeiro filme.

 

Julho de 1991, pré-estréia do filme Batman Returns. Meu tio Marcos, que é fanático pelo Batman, convidou minha mãe e meu padrasto para ir com ele na pré-estréia do filme -eles aceitaram na hora, afinal, as entradas já haviam sido compradas.

Eu que não havia feito nem um ano de idade, não era cobreada a minha entrada, fui junto. O filme era no Barra Shopping - (aquela foi a primeira vez que visitei a minha segunda casa). 

Minha mãe, até hoje, conta que eu não tirei em nem um minuto os olhos do filme, de todos ali presentes eu era o que mais prestava atenção. Não é preciso comentar que quando o filme acabou eu, como toda criança que se preze, comecei a chorar - eu queria mais Batman, queria mais Mulher-Gato, mais Pinguim, mais ação...

Bem na saída do cinema havia uma loja de brinquedos (daquelas com um bonequinho de chumbo na entrada) e logo na entrada da loja, em destaque, havia um lindo boneco do Batman - ele segurando seu Bat-Bumerangue, olhando para o céu, contemplando seu símbolo.  Não deu outra, eu que ainda nem sabia fala implorei por aquele brinquedo.

Só para constar: aquele boneco, ainda hoje, está muito bem guardado na gaveta da minha cabeceira ( e de vez em quando dou vida a ele).

Com o brinquedo em mãos  - mais feliz que nunca - dei sossego aos mais velhos, fiquei que nem um bobo, olhando para o meu novo herói, enquanto os velilhos de divertiam em suas maneira pouco ortodoxas. Meu padrasto deu a idéia de irmos almoçar (como tínhamos ido a pré-estréia do filme ainda eram quatro da tarde e não tínhamos, sequer, almoçado. No corredor de lojas entre o cinema e a praça de alimentação havia um japonês, demos uma parada lá - não para comer aqueles peixes crus e sim para tomar saquê. Conta o tio Marcos que eles tomaram 19 saques (seis para cada e um para mim - juro que não me lembro de ter bebido nada naquele dia, já o Bruce Wayne). Sempre que minha mãe conta a história deste dia reforça que meu padrasto tomou, sozinho, 21 saquês. O certo foi que entre um copo e outro a fome bateu, eles decidiram ir embora do japonês e ir comer alguma coisa num self-service. O tio Marcos me confessou que ninguém teve a coragem de se levantar da mesa já no self-service, estavam tão bêbados que quase não paravam de pé, pois então, decidiram atacaram a cerveja do recinto - isso era mais fácil, era só levantar o copo, para o garçom, na altura na cabeça 

Depois de muitas latinhas eles decidiram ir embora. Com muito custo acharam à saída "F" do shopping (onde, depois de uma grande discussão, concordaram que havias estacionado o carro). Demos um, duas, três voltas no estacionamento "F", mas nem sinal do carro. Eles decidiram dar uma volta no imenso estacionamento do Barra Shopping, tentando encontrar o carro, mas nada dele aparecer.

O dia já havia virado noite, meu padrasto, mãe e tio estavam muito cansados e eu pingava de tanto sono, decidiram, então, pegar um táxi. Com medo do taxista perceber que os três estavam totalmente bêbados e ainda por cima carregando uma criança de colo com eles, decidiram que ninguém, além do meu tio Marcos dando nosso destino, abriria a boca até que chegássemos em casa.

"Jacaré Paguá, Sulacap 3." Ordenou meu tio ao taxista, forçando uma voz grossa.

Já era noite e o céu estava lindo, cheio de estrelas. A lua, de tão grande, brilhava o lindo céu, que não me lembro de ter visto com nenhuma nuvem. Ele estava imenso, de uma magnitude que não encontro nos dias de hoje. Um perfeito céu, lindo, limpo. 

Depois de vinte minutos em silêncio, nem dando pinta que estavam bêbados, (a não ser por algumas crises de risos da minha mãe) meu tio Marcos pensou que o fato de nenhum deles ter aberto a boca durante todo o percurso era dar pinta demais, achou que se ele comentasse alguma coisa sobre o clima, por exemplo, ficaria mais real o "disfarce" deles. Ele puxou assunto:

"Chato essa chuva, não é?"

Quando essa história me foi contada a pouco fiquei pensando, e o carro? Imagina só, uma hora de estacionamento no Barra Shopping, na época, já era uma fortuna, imagina a noite toda? Perguntei para minha mãe o que eles fizeram a respeito.

"Nada! Além dos mais, nós nem tínhamos ido de carro"

 

 

 

 

{Lendo o livro "Minhas Mulheres e Meus Homens", do grande Mario Prata, percebi uma semelhança entre uma pequena parte da história lhes contada acima com uma pequena parte da história encontada no livro. Deixo claro que essa crônica foi escrita quase que um ano antes de eu, o escritor, ler o livro do Mario Prata. Deixo claro também que o livro do Mario Prata é de 1999 e a crônica é de 2007.}

 

 

_______________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 02h35
[] [envie esta mensagem
] []





Na pizzaria.

 

Todo mundo tem sua comida preferida - e não venha me dizendo que é arroz com feijão! A minha é pizza, amo pizza, se pudesse comeria todos os dias, aliás, eu até posso, mas acabaria atingindo os 200 quilos logo-logo.

Hoje, mais a noite, vou ao aniversário de uma amiga (Cecília Reis) - adivinha aonde vai ser o “niver” dela? Numa das melhores pizzarias da querida e pacata cidade onde moro. Não preciso comentar que eu me empanturraria de pizza, na verdade hoje eu tentaria atingir o recorde histórico pessoal de 25 pedaços. A preparação começou desde ontem no almoço. Eu comi pouco, apenas o suficiente para não sentir fome durante umas seis ou sete horas. Mais noite tomei um copo de leite com chocolate e cama, tentei dormir cedo e acordar tarde. Como o “niver” seria de noite, quanto mais tarde eu acordasse menos tempo iria demorar pra chegar à hora tão desejada - hora que começassem a servir as pizzas.

Depois que acordei tomei mais um copo de leite com chocolate e água, bastante água - alguém me disse uma vez que água dilata o estômago, sendo assim, caberia mais comida. Quando deram cinco horas da tarde minha barriga já estava gritando por comida, não agüentei, comi um pouquinho de pipoca, mas bem pouco mesmo, apenas duas mãos cheias.

Quando deram 6 horas lá estava eu, já com fone.

Antes do aniversario ainda tinha que ir a uma reunião espírita, só de lá iria para a pizzaria. Ainda na metade da reunião percebi que todos me fitavam com os olhos fervorosos de deboche, fiquei um pouco envergonhado - consegui ouvir o que a senhora, que se sentava bem atras de mim, cochichava com sua amiga “coitado desse morto de fome, daqui escuto a barriga dele roncando”... sua amiga respondeu, com a língua afiada, “nunca vi gordo com a barriga roncando, eles tem tanto estoque...”. Eu nem estava me importando com os comentário, só pensava em quantas dúzias de pedaços eu conseguiria comer. Enfim, deram as oito horas, hora de ir a pizzaria. Chegando lá fui logo me sentando na grande mesa que havia sido montava - e que ainda quase vazia -, além de mim só três familiares ocupavam a mesa, tirando a aniversariante, é claro.

É preciso comentar que o rodízio de pizza, em comemoração do aniversario da minha amiga Cecília, foi realizado no melhor restaurante da cidade de Ubá. Fico muito grato pelo seu pai (que agora me fugiu o nome) pelo convite - e por ter pago a conta, claro! Tudo bem que não era mais que sua obrigação, mas sei que foi de muito bom grado, não muito talvez quando viu o total a pagar (onde eu somara uma boa parte).

Todos já estavam sentados, tomando refrigerante, cochichando e reclamando da demora da pizza quando escutamos um grito bem perturbador “PUTA QUE PARIL”!... O grito veio da cozinha, logo depois do grito ouve um estouro forte e concentrado - que fez vidrar meu copo. Não demorou muito, todos os cozinheiro saíram correndo da cozinha - que estava coberta por uma fumaça preta e densa. 

O forno da pizzaria era daqueles que se assemelham com uma cabaninha, quase como uma oca. Pois bem, o gás que aquecia a cabana estourou e começou a emanar fogo dentro de toda a cabana. Com o aumento de temperatura e muito provavelmente por causa do aumento da pressão interna, o "telhado" que cobre a cabaninha caiu. E o pior, ele caiu em cima das seis pizzas gigantes que estavam sendo preparadas para a nossa mesa. Aquele era o único forno do local, não iria mais rolar pizza por ali naquele dia. Quando olhei dentro da cozinha meus olhos produziram uma única lágrima de lamento, eu - sinceramente - não sabia o que estava sentindo ao certo - ódio, raiva, frustração ou fome. Não tive outra escolha, chamei o gaçom (que corria de um lado ao outro, todo desesperado).

-O fogão de vocês ainda está funcionando? - Eu perguntei, com a maior cara de frustração do mundo.

-Sim senhor, quer fazer algum pedido? - Me perguntou ele, tentando se livrar de mim.

-Sim, por favor, um prato bem grande de arroz com feijão.

Ainda hoje, depois de mais de três anos, me recordo da cara de incrédulo do garçom, mas não com o estrago da cozinha e sim com a rapidez que eu coloquei aquele PF -  "nunca viu ninguém comer tal prato tão rápido" cochichou ele quando recolheu meu prato.

-Pode trazer mais um. 

Quando cheguei em casa não estava mais com fome, mas a vontade de comer um suculenta pizza não havia saído da minha boca. Fui direto a geladeira, peguei uma pizza congelada, a aqueci e mandei pra dentro - é claro que aquela pizza nem se comparava com a da pizzaria, mas depois de todo meu esforço e sofrimento eu entraria em depressão se não comesse uma pizza naquela note.

 

 

 

 

 

__________________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 01h35
[] [envie esta mensagem
] []





Meu Primeiro Casamento

 

Chego, na casa da minha madrinha, do colégio por volta das onze e quarenta, mas meu pensamento estava adiantado meia hora, em um dos momentos mais difíceis da minha vida (que drama! Diria uma amiga uchumaru).

Almocei o mais rápido que eu pude; adrenalina a mil. Meu padrinho, com aquele sotaque bem mineiro, me disse: “mas ocê só inguliu a cumida, já vai saí?”. Expliquei que tinha que sair, mas já voltava. Iria sair pela porta da sua casa como homem e voltar como pau mandado. Antes de sair peguei quatro caixinhas brancas e uma verde, me dirigi reto e direto (meio tremulo) par a porta do colégio onde minhas quatro grandes amigas estudam.

Meio dia e vinte, as vejo saindo pelo portão, meu coração estava quase pulando para fora da minha garganta, minha boca estava tremula e seca, eu nunca iria esquecer aquele trinta de abril.

“Foi uma coisa inesperada por todas nos quatro” disse uma das minhas amigas (Fabianny), ela ainda completou “nenhuma de nos quatro poderia esperar que de dentro das caixinhas brancas tivessem quatro anéis dourados, feito alianças”. E então ela disse: “veio pedir agente em casamento?” E eu disse “SIM”! 

“E todas elas caíram na gargalhada”

 

No começo confesso que o desespero com a surpresa realmente nos causou gargalhadas, mas quando elas abriram as caixinhas e perceberam que eu estava falando sério se acalmaram e pediram que eu colocasse nelas as alianças. O fato assim se deu, nós nos despedimos e fomos embora. O casamento mais aberto de toda estória.

Nem parece, mas foi um momento tenso para mim. Eu não estava dando um anel para amigas, estava dando uma aliança dizendo o quando eu as considero e as amo. O ato de elas aceitarem e colocar o anel dizia que elas também sentiam o mesmo por mim.

Nunca pensei que logo a Nívia, que não liga para esse tipo de coisa (que ela chama de besteira) seria a primeira a colocar o anel.

Nunca pensei que a Gabriela, com seu jeito (down, e adorável) de ser, iria aceitar o tal casamento, mesmo que espiritual.

Nunca pensei que a Fabianny, que já duvidou da minha amizade, iria aceitar de tão bom grado.

Nunca pensei que a Marcela, que só conheço a quatro messes, fosse me entender e aceitar o casamento.

Nunca pensei que uma pessoa fria e desligada de amigos como eu iria criar coragem para tal pedido.

Não fomos ao cartório, não fomos a igreja, muito menos ou centro de macumba, nós nos casamos ali, na porta do colégio, com varias testemunhas (mesmo muita achado que nos éramos doidos). O importante é que mesmo sem a benção do padre, sem o documento do cartório e a benção da macumba nos éramos maridos e mulheres, e com certeza iremos viver felizes para sempre.

-Eu vos declaro marido e mulheres. Já pode beijar as noivas.

 

 

 

_______________________

Bruno B. Braga



Escrito por Bruno B. Braga às 01h46
[] [envie esta mensagem
] []





Faces de frasco de shampoo.

Você já parou para pensar quem são aquelas faces (rostos) que estão impressas em frascos de shampoo? Pois eu já. 

Quem já viu na Rede TV”fofoca” uma modelo de frasco de shampoo sendo entrevistada? Ninguém nesse mundo conhece alguém que já posou para um frasco de shampoo! O que me faz pensar que na verdade elas têm que ficar lá, paradas, sorrindo...

Não pense você que a carreira de modelo de shampoo começa no auge . Ela começa a ser construída desde criança. Primeiro elas começam a pousar para pacotes de frauda (quanto mais rosinha a bundinha melhor). Daí um pouco mais velha elas vão para os sabonetes de criança. É nessa época que o seu futuro e escrito. É a partir dessa idade que se pode dizer se ela irá ser bonita ou não.

As poucas que conseguem continuar no ramo posam para um shampoo, mas de criança ainda. Da Xuxa ou da Disney.  É a porta mágica para uma carreira de sucesso e trabalho 24horas. 24horas sim! Ou você já as viu tirando folga? Elas estão sempre lá. Não importa a onda e nem quando.

Quando entram na mocidade é hora de irem para os absorventes, é ai que existe a maior taxa de demissão no ramo, já que o mal da idade começa a aparecer. Aqui entre nos, eu não quero tomar banho vendo uma garota cheia de espinhas.

Mais algum anos e em fim elas chegam ao shampoo 2 em1. É o primeiro passo para o sucesso. E em fim, alguns anos depois, se o shampoo 2 em 1 tiver uma boa venda, elas são chamadas para estrelar uma nova linha de sabonete corporal. E elas ficam lá, doidas que a nova fragrância do sabonete pegue, para que, enfim, elas possam desbotar lindos frascos de shampoo. 

Algumas moças, ainda, conseguem se superar e são chamadas para estrelar uma linha de creme anti-idade. Mas infelizmente, quando elas conseguem chegar nesse ponto, sabem que foram bem sucedidas e que a carreira a pouco vai ter uma vertigem monstruosa. Mais alguns anos e nem folheto de asilo vão as querer contratar. 

Infelizmente essa profissão, que tanto ajuda nosso pais crescer, não é regulamentada - sendo assim essas lindas modelos acabam não podendo aproveitar a vida depois que são despedidas, não há aposentadoria para ex face de frasco de shampoo. A única solução que les cabe é pousar para capas de fraldas geriátricas.

Estou escrevendo este texto porque meu shampoo acabou de acabar, estou esperando a minha mãe trazer um outro do supermercado. Eu já uso desta mesma marca (e mesma fragrância) há mais de dois anos e mesmo assim não enjoei da face lá estampada, acho que ela vai longe.  

Assim que minha mãe voltou do supermercado e eu saí correndo para pegar o frasco de shampoo. Quando o peguei e olhei seu rotulo uma única lagrima de raiva misturada com tristezas escorreu dos meus olhos, a marca acabara de trocar a face que vejo a mais de dois anos, enquanto tomo banho, por um desenho de uma garota pulando diante do sol.

Amanhã bem sedo vou a uma farmácia, vou procuras as fraldas geriátricas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

______________________

Bruno B. Braga



Escrito por Bruno B. Braga às 13h57
[] [envie esta mensagem
] []





Opa!

 

Do nada ela entrou na sala de aula. Ninguém sabia seu nome, seu sobrenome ou apelido, mas todos a chamaram de gatinha. Enquanto ela entrava os homens sussurravam entre si “Caraca maluco, olha ali, que gata”. Todos ficaram fitando a deusa da bela, que conseguiu deixar a sala de aula linda – mesmo com tantas garotas feias por perto. Por falar em garotas, todas franziram o cenho quando a viram entrar. As que estavam do lado no namorado deram um abraço no mesmo, como se tentasse proteger o que era delas, mas não adiantava, nenhum homem no recinto focava-se em outra coisa a não ser nela, a gatinha, a deusa – ouso-me a dizer, “a gostosa”.

Ela deu apenas dois passos após ter passado o arco da porta. Quando parou ficou examinando os rostos dos alunos daquela classe. Ela percebeu que os homens a fitavam famintos e as mulheres desgostosas, o que a fez abaixar a cabeça em um gesto de vergonha. Mas ela já está acostumada com esse tipo de situação, ela sabe que é linda – e não tem vergonha de esconder isso de ninguém! Ela é simplesmente perfeita dos cabelos loiros, passando pelos olhos azuis, pela pele branquinha, até cochas duras e as unhas vermelhas. Deu uma inspirada demorada e enquanto soltava o ar ela levantou a cabeça, novamente, se impondo diante os 48 alunos.

Uma expressão de “ops! O que eu estou fazendo aqui?” era perceptível. Ela arregalou os olhos enquanto um leve torpor passageiro tomava conta do seu espírito, ela voltou seu olhar para porta, examinando o numero da sala que havia acabado de entrar. Assim que computou o dado soltou um pequeno sorriso, abaixou a cabeça, agora sim com muita vergonha e se dirigiu para fora da sala. Enquanto saia, pela primeira vez, ficou de costas para os homens daquela sala, que quando viram sua tunda (vulgo pandeiro, ou bunda – popularmente) soltaram um ultimo “noss.. que isso meu deus”.

Nunca mais a vi no colégio, na verdade nunca prestei atenção se passava por perto dela, mas com certeza a notaria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

________________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 23h02
[] [envie esta mensagem
] []





Minha Feinha.

 

Ela passava o intervalo do colégio inteiro ali, bem no meio do pátio conversando com suas amigas. Por mais que elas fossem bonitas ela conseguia se destacar, não pela sua beleza, mas pela sua feiúra.

Passei por vários colégios antes do atual e em cada um sempre tinha aquele grupinho de garotas que eram chamadas de patricinhas, nem sempre por serem ricas, mas por serem bonitas. Elas eram as mais bonitas do colégio inteiro.

Quando saí do meu colégio antigo a única coisa que realmente me animava no colégio novo eram as patricinhas. Antes mesmo do meu primeiro dia de aula no novo colégio eu já devaneava como elas deveriam ser bonitas. Como o colégio novo era chamado de “Colégio de Rico” e como eu nunca vi uma rica feia mal podia esperar pela primeira olhada naquelas garotas. 

Já no colégio novo, no primeiro intervalo, lá estava eu contemplando aquelas beldades, desfrutando daquela beleza, atiçando meus instintos masculinos quando como que do nada chega o capeta em forma de garota, provavelmente à garota mais feia que eu conheço até hoje.

Como eu me sentava do lado da janela que dava pro pátio - e não conhecia ninguém naquele colégio - ficava ali, sentado, olhando praquele grupo de garotas lindas e aquela feiúra no meio. Por quase dois meses passei todos os meus intervalos sentado, olhando pra “minha feinha” (como a apelidei depois de um tempo). 

Um dia deu sede. Indo para o bebedouro quem eu encontro na fila? Ela, com toda a feiúra de costume. Cedi minha vez na fila, queria a ver tomando água. Não para a minha surpresa ela conseguiu ficar ainda mais feia.

Quase cinco meses de colégio novo - e meia dúzias de palavras trocadas com “minha feinha” - o colégio promoveu a festa do dia dos estudantes. Eu não estava animado a ir, mas quando fiquei sabendo que ela iria me animei na hora. Uma pergunta ficou na minha cabeça: quanto feia ela ficaria com roupa de festa?

Quando cheguei à festa a primeira pessoa que procurei foi ela, mas nada. Eu não a via em lugar algum. A musica já estava rolando e todo mundo estava dançando. Quase nunca vou pro meio da confusão, mas estava tão chateado por ela não ter ido que fui pra lá ver o que vai rolar.

Chegando lá, bem no meio da pista, quem eu vejo? Ela, dançando, dançando muito e muito feio - até a dança da coitada era feia. Ela foi me hipnotizando, cinco minutos depois lá estava eu dançando com ela. Com um sorriso na cara (sorriso feio) ela me falou bem graciosamente no meu ouvido:

-Por que você fica o intervalo inteiro me olhando?

-Por que você é a garota mais feia do colégio inteiro.

-E você é o mais excluído.

-Não mais.

Assim que terminei a ultima fala ela me beijou, e assim ficamos pelo resto da noite, ela me beijando, eu beijando ela.

Na semana de aula seguinte eu continuava na janela e ela continuava com suas amiga no meio do pátio. De vez em quando ela olhava pra mim, bem nos meus olhos e me mandava um beijo, eu fazia o mesmo.

Quase três meses depois ela se formou no ensino médio e é claro que fui a sua festa de formatura. Depois de toda a cerimônia, assim que começou a musica, ela me puxou para a pista e de novo, como da primeira vez, me perguntou graciosamente:

-Por que você fica o intervalo inteiro me olhando?

-Porque você é a garota mais bonita do colégio inteiro.

-Pensei que eu fosse a mais feia.

-Estranho como o amor consegue mudar os olhos de um homem.

 

_____________________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 15h55
[] [envie esta mensagem
] []





Ela havia planejado tudo.

 

 

Ela já havia planejado tudo. No colégio havia uma portinha que dava para a rampa dos funcionários, lá a fiquei esperando por alguns minutos (assim como ela havia combinado comigo, por um bilhetinho, que sua melhor amiga me entregou).

Durante toda a espera, que foi curta, fiquei imaginando o que a garota mais bonita de todo o colégio queria comigo. Na verdade, durante os três anos que estudamos juntos ela, até aquele dia, nunca havia dirigido nenhuma palavra a mim, era simplesmente como se eu não existisse.

Dois minutos a mais se passaram e pensei em ir embora, frouxo como era (e ainda sou) decidi esperar. Foi quando me lembrei que ela estava preste há completar quinze anos. No dia anterior a aquele ela havia entregado seu convite de aniversario e eu tinha sido o único a não o receber, era quase certo que ela queria o me entregar intimamente, fiquei todo me sentindo. Será que ela estava gostando de mim?

Nos quatro minutos a mais que eu ainda tive que esperar, fiquei olhando para uma janelinha aberta, por onde conseguia ver o céu (azulzinho...), não pensava em outra coisa que não fosse nela. Será que ela nunca havia me dado nenhuma dica que gostava de mim? Será que ela vai me chamar para dançar valsa com ela? Será que eu a estou amando? E o pai dela, será que ele vai me achar gente boa?

Subitamente me lembrei que seus olhos sempre se chocavam com os meus durante as aulas e, diferente dos jovens da nossa época, não os redirecionávamos imediatamente, e sim olhávamos fixamente um para o outro por alguns segundos e ai sim perdíamos nosso olhar. 

A porta se abre, ela entra mais graciosa do que nunca. Eu, debaixo da janela, com o sol me revelando completamente. Ela, a três metros de distancia de mim, na sombra, onde realçava ainda mais seu cabelo loiro e seus olhos verdes. Ela tinha um envelope na mão, eu estava certo, ela iria me chamar pro seu aniversario. Ela fala bem baixinho:

-Você comentou lá na sala que não havia sido convidado para o meu aniversario, pois bem... 

Neste momento ela esticou o braço como para me entregar o envelope.

-Acabem com esse otário garotos! 

Da janela que eu estava bem abaixo dois garotos me jogaram várias dezenas de ovos e depois esvaziaram dois sacos de faria na minha cabeça, eu não tinha para onde correr. Ela estava a gargalhar. Eu estava a gemer (pancada de ovo dói muito!). Como sempre graciosa se abaixou perto de mim e falou no meu ouvido:

-Quer uma segunda dose? Apareça lá na festa. Aqui esta seu convite seu merda!

Ela saiu (ainda gargalhando). Eu fiquei ali, todo lambuzado, esperando por ajuda. Um funcionário passou pela rampa e me viu. Infelizmente aquele não era meu dia. Ele achou que eu havia feito aquilo em mim mesmo (que imbecil) e ainda me obrigou a limpar tudo. Para não piorar o dia fiz o que tinha que fazer e fui embora.

Saindo do colégio, com o convite ainda na minha mão, decidi fazer alguma coisa a respeito do acontecido, me vingar. Neste momento o deus negro sorriu para e mim e colocou no meu caminho Jony (um garoto barra pesada, o mais que conheci em toda minha vida. Como minha mãe havia acabado de conseguir liberdade provisória para ele, ela era sua Advogada, eu sabia que ele não iria de se importar de fazer um pequeno favor. Mesmo sendo meio burro ele sabia “das parada”.) Para a minha surpresa, quando eu o fui cumprimentar, ele me cumprimentou primeiro.

-Fala Bruno camarada! Filho da minha salvadora... (Jony)

-Que isso cara, ela fez só o trabalho dela. (Eu)

-Você sabe que não parceiro, tua mãe nem me cobro os honorário mano, cara eu devo pra vocês minha vida, pode pedir qualquer coisa que eu faço! Menos matar irmãozinho, porque senão tua mãe vai ter que me ajudar de novo. (Jony)

Perfeito! Era a chance que eu precisava, o “mano” mais sujo da cidade iria fazer qualquer coisa que eu pedisse, é claro que não perdi a oportunidade. Contei pra ele toda a historia que acabara de acontecer. 

-Mano, bater em mulher eu não bato, mas me arranja os nome dos candango que te jogaram as parada que do uma surra neles. 

-NÃO! Calmo ai cara, não é isso que eu quero. 

-Então o que? 

-Vou te explicar bem divagar para você entender. 

-Ta me achando que eu sou burro? Precisa explicar devagar não, qualé... 

-Pois bem. O que eu quero que você faça é ir à festa no meu lugar. 

-Ixi, acho melhor tu explicar devagar mermo porque num entendi nada. Pra que você quer que eu vá na festa? 

-Quero que você vá à festa e zoe muito com a festa ... Se é que você me entende... 

-Zoa da sua maneira ou da minha maneira? 

-Da sua maneira

A festa seria no sábado seguinte, todos do colégio só falavam a respeito, eu ficava no aguardo, imaginando o que o Jony iria aprontar. Sábado chegou, a festa passara e nada do Jony dar noticia. Na segunda pela manhã quando chego ao colégio a tal garota estava a aminha espera na porta (acompanhada com o Jony. Eles tinham ficado na festa, estavam meio que namorando.).

-Adorei seu presente de aniversário otário. 

-Que isso Jony, você me traiu cara. 

-Você me falou pra curti não foi? 

-Porra! Era pra você ter estragado a festa, não agarra a garota que eu gosto. 

-Ixi, foi mau parceiro... Eu ainda posso bater nos cara que te jogaram as paradas em você. 

-Foram àqueles dois que estão subindo a rampa. 

-Po deixa...hei...vocês dois! Voltem aqui!  

 

Jony saiu correndo atrás dos meninos e eu fiquei ali olhando para a beldade mor do colégio. Como de costume se passaram alguns segundo e dispersamos nossos olhares. Ela com ar de arrependimento:

-Eu fiz aquilo com você porque pensava que você não ligava pra mim. 

-Eu não ligo pra você? Você que nunca falou comigo. 

-Nem você 

-Verdade... 

-É sério que você gosta de mim? 

Rolou um clima, nossos olhos em fim olhavam um para o outro, mas desta vez não se dispersaram. Fui chegando perto dela e a dei um beijo, um tímido selinho. Ela me agarrou me dando um beijo de verdade. Neste momento chega o Jony, não gostando do que estava vendo.

-O que você esta fazendo com a minha garota? 

-Fudeu... 

 

 

_____________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 21h52
[] [envie esta mensagem
] []





Medo e amor.

 

Eu sempre tive medo do amor. Na verdade mais medo do que ele pode me causar.

Medo é uma palavra que me assombra já há vários anos, na verdade não me lembro de um momento em que não estivera amedrontado. Quando criança tinha medo das coisas normais de criança como bicho papão, monstro de baixo da cama, sair no escuro... Já na pré-adolescência a beleza, roupas boas e agradar as pessoas a minha volta me amedrontavam. Já adolescente, por causa da cobrança, o medo de fracassar nos estudos me assombrava. Todos os lugares que eu ia era cobrado de algo que eu sequer sabia fazer. Os pais querendo sempre mais e esperando sempre menos. Os avós dizendo que seria um grande orgulho ter um neto melhor da classe, já que eles não tiveram chance se estudar (não tiveram chance de estudar é o cacete!), os tios sempre me comparando com meus primos... Fracassei. E não foi só uma vez que fracassei. 

Foi por causa de um sentimento apenas, que conseguir controlar o medo e segui a diante o pouco que havia construído. O amor. Na verdade o medo do amor. O amor e o melhor e mais traiçoeiro dos sentimentos. Ele faz coisas terríveis com as pessoas, mas elas nem sempre percebem, ele anestesia.

Hoje aprendi a lidar com o medo. O medo nada mais é que um alerta. Um sentimento que nos faz pensar mais de uma vez no que vamos fazer. Atualmente, por exemplo, tenho medo de morrer sozinho - como meu avô. Tenho medo de escolher a pessoa errada para me casar - como a minha mãe. Tenho medo de acabar duro e desempregado como meu tio. 

É por isso que hoje ainda sinto muito medo, muito medo do que o amor pode me causar. Ele que é capaz de te fazer casar com a pior pessoa do mundo, o fazer viver seus últimos dias de vida sozinho, o fazer perder tudo, quando já não se tem mais nada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

_______________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 19h16
[] [envie esta mensagem
] []





Barbarismo

 

 

Desde minha primeira aula de redação o candango do meu professor vivia me advertindo por escrever muito simples. Ele adorava usar palavras em que só ele compreendia e ainda queria que todo mundo compreendesse o que ele estava querendo nos dizendo. Depois de varias advertências verbais ele me deu zero em uma prova por não usar essas tal palavras difíceis.

Na sua prova seguinte decidi dar uma avacalhada com o sujeito. Era simples o exercício. Descrever uma pessoa que estudasse na mesma sala que eu. Escrevi o texto abaixo:

/-Sempre que a vejo a minha vanguarda, fico imaginando no que ela está devaneando, sua cabeça para mim é um mundo forâneo. Talvez por causa disso não saiba litigar com ela.

Seu jeito de se vestir é bem olhirridente, ela grita “eu estou aqui”, sem nem mesmo abrir o umbral. Por isso hoje a tenho um grande apego.

Sua desteridade agressiva já me deixou por varias vezes com dor de cabeça, braço, pescoço (entre outros). O modo como alude às palavras revela bem seu temperamento, ela alude apenas o necessário e quando alude o faz bonito nossa  puela. 

Ela não é boa aluna, o que não quer dizer que tira notas ruins, ela está incessantemente na média. Alias tudo dela é mediana. Suas petrinas são medianas, seu tundá é mediano, suas pernas são medianas, até sua prestância é mediana. Ela possui melenas negras horríveis (como não poderiam?), mas se adergam bem com seu tom de pele, que, aliás, me lembra o tom de pele dos surfistas. Só não posso juntar seu nome com o adjetivo surfistinha, pois assim teríamos o nome de uma atriz pornô, que não me ventura em nada nossa confrade Bruna.-/ 

 

Dois anos depois, meu professor me confessa que ainda não sabia o que significava das palavras tundá e petrinas. Revelo para ele, fica calado por alguns segundos e responde:

-Você merecia um zero naquele teste!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

_____________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 19h51
[] [envie esta mensagem
] []





Chiến tranh

Em uma caverna escura; dois soldados, fardados de verde musgo, fumam seus últimos cigarros - quase aos dedos - esperando o derradeiro momento que possa adiantar o fim do sofrimento. Com a guerra, em si, não se importam mais. Duro mesmo é aguentar o frio e fome corriqueira. Eles agora estão em dois, porém na noite anterior eles eram três e há uma semana eram quatro. No começo de tudo eram três mil soldados, juntos, marchando por um ideal a descobrir - todos eles prestes a lutar por algo que nenhum dos três mil conheciam. Hoje, mais de dois anos após a primeira batalha, os dois canibais fumam seus últimos cigarros, enrolados por uma carta de baralho, recheados com uma erva nativa do continente em que eles se encontravam. 

"Alucinações!"

Gritou um dos soldados enquanto queimava o dedo com o brando fogo do seu cigarro improvisado.

"Devíamos ter usado essa plantinha mais cedo, agora os baralhos se foram."

Completou o mesmo soldado. O outro, que fumava demasiadamente mais devagar, e com muita mais presteza, aproveitou o ultimo fiasco de fogo em seu cigarro para acender seu isqueiro, e com ele acender uma pequena fogueira feita de folhas secas e alguns gravetos.

"As alucinações não vêm do cigarro seu imbecil. Vêm da fome. Nós não comemos há dias."

O outro soldado veio em direção ao fogo, suas mãos rochas de frio chegaram tão perto do fogo que sofreram leves queimaduras. "Mas como é bom sentir um pouco de dor carnal" - pensou o soldado.

O frio escaldante, de dois meses de tempestade de neve, deixou os dois militares quase que com o corpo completamente dormente. Nenhum dos dois conseguiram se levantar por quase dois dias; estavam com o corpo todo mole. Hoje, pela primeira vez no ano, o sol estava aparecendo, iluminando o gelo que quase cobria toda a caverna em que os dois soldados se encontravam. O gelo derreteu um pouco e o pouco do calor emanado pelo sol foi suficiente para que o corpo humano conseguisse colocar os dois soldados de pé mais uma vez.

O soldado com o isqueiro chegou perto do seu amigo, passou seu braço pelo seu ombro e com seus lábio trémulos anunciou.

"Desculpe. Eu não aguentou mais de fome. Eu realmente não tenho mais não forças."

Ouvindo essas palavras o soldado deduziu que, assim como eles tinham feito com tantos outro homens em momentos de desespero como esse, seu amigo iria o matar para se alimentar. Seria uma honra para ele ser comigo pelo seu amigo, ajudaria a salvar a vida de um homem que tanto lutou para lhe manter vivo. Mas, por um momento, ele pensou que seu companheiro também sentiria o mesmo orgulho em ser comido por um amigo de pelotão. Ele pegou sua arma, que repousava em sua perna, e e atirou - com uma precisão que a tempos não tinha - bem rente ao coração de seu amigo, que segurava tão apertado seu isqueiro. 

O soldado, agora sozinho, deitou seu amigo, fechou os olhos do recém defunto e aproximou sua face perto da dele para dar-lhe um ultimo beijo no rosto - um sinal de amizade e companheirismo em sua cultura. Quando ele chegou seu rosto perto escutou um baralho estranho vindo da boca de seu amigo, era um barulho como se milhares de pequenas bolhas se estourassem ao mesmo tempo, assim como um efervescente. Ele não hesitou. Abriu a boca do seu ex-amigo e constatou o que ele temia, a boca de seu amigo estava sendo consumida pelo ácido que todos os soldados carregavam na boca  - para terem, no mínimo, uma morte justa caso já não aguentassem mais a guerra. 

Ele abraçou seu amigo, agora chorando como nunca. Ele respirou fundo, controlou a tremedeira, contou até três e mordeu - voltou a chorar. De seus olhos não saiam lágrimas e sim sangue. Ele também acabara de estourar o ácido em sua boca. Ele, em sua cabeça, acabara de estragar suas chances de ser salvo pelo seu Deus - privando um semelhante de uma morte digna. Não demorou muito ele também morreu, agora  jazia em cima do corpo do seu ultimo e melhor amigo, amigo que ele mesmo havia matado, seus pecados, daqui a pouco, serão julgador pela justa e seleta assembleia de Deus. Mas antes, ele e seu amigo, em forma de espirito, assistiram a chegada atrasada dos soldados que deveriam os ter resgatado a mais de dois meses. Se ainda estivessem vivos seriam levados de volta ao seu pais, condecorados com medalhas e a garantia que nunca mais teriam que trabalhar em suas vidas. Teriam os melhores partidos do pais, incluindo a filha do presidente - que por muitos já era cobiçada. 

Os dois amigos agora passarão a eternidade se perguntando de quem foi a culpa. Se a culpa foi de quem falou de mais ou de quem pensou de mais? Eles nunca chegarão a uma resposta, pois já estão mortos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

______________________

Bruno B. Braga




Escrito por Bruno B. Braga às 00h09
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]